terça-feira, 22 de julho de 2014

rota do bacalhau (1 de Junho)


A rota do bacalhau é muito mais que um evento de btt. Não é uma prova, não é uma competição, não é um passeio, não é um desafio. É uma enorme onda solidária onde, pelo meio, se pode fazer desporto, usufruindo de paisagens e locais únicos.

O rotary clube de ílhavo organiza desde há alguns anos este evento completa e verdadeiramente solidário com a obra da criança. O valor da inscrição, 20€ por pessoa, é inteiramente para entregar à instituição. E as pessoas aderem em massa, pois sentem que podem, fazendo o seu desporto, ajudar efectivamente quem precisa.


Aqui não há escolha possível: apenas há uma distância, um tipo de inscrição, com almoço e jersey do evento incluídos, assim como demais ofertas dos patrocinadores. Claro que existem eventos paralelos, como a rota do bacalhau miúdo, um passeio de bicicleta para os mais pequenos, bem como uma caminhada para os familiares dos participantes. Mas no que diz respeito ao btt, não há alternativa, é daquela forma e ponto final.

Mais uma vez decidi participar, pois além de poder contribuir para uma boa causa, tinha possibilidade de voltar a pedalar por trilhos e áreas fantásticas. E não me desiludi. Aliás, desde que participo na rota do bacalhau, e esta foi a terceira vez, o percurso deste ano foi o meu favorito. 


Bem cedo cheguei ao secretariado, onde rápida e eficazmente me entregaram o meu dorsal e o respectivo saco com o jersey e todas as restantes ofertas. Depois foi seguir para a escola onde se localizam os banhos e onde se realiza o almoço para, sem problemas, estacionar o carro, fruto da boa organização e dos muitos espaços disponíveis para tal.

Deu tempo para tomar um segundo pequeno almoço e ainda descansar um pouco antes de começar calmamente a preparar tudo para dar início à pequena pedalada que me levaria até ao centro da cidade, local de partida. Mais uma vez, grande animação e organização. Tirei as primeiras fotos e coloquei-me no local de início, bem no final de todo o grupo de cerca de 1200 pessoas.


Uns primeiros km pelas ruas da cidade para que toda a gente possa ver a grande caravana e logo de seguida entrada nos trilhos, onde apanhámos de tudo, desde areia até lama, passado por pedras e água. Tudo que se possa dizer ou escrever sobre os locais onde se passa, muitas vezes no meio de densa vegetação, outras com lagos protegidos, outras ainda com vista a perder-se no horizonte, não poderá fazer justiça à verdadeira essência desses lugares, pelo que só quem por lá passa pode sentir e absorver todo aquela envolvência.

E o ambiente entre a grande maioria dos participantes é quase de amizade. É verdade que neste tipo de eventos aparecem sempre algumas pessoas que não sabem estar, que pensam que estão em grande competição ou simplesmente que não percebem qua o comportamento adequado quer com os participantes mais rápidos quer com os mais lentos. E este evento não é excepção. Mas enfim, nada que não seja ultrapassável nem que impeça que se aproveite bem o dia.


Os km vão passando, uns com grandes dificuldades em subidas ingremes, algumas delas estreitas, praticamente em single track, outras vezes com descidas um pouco mias complicadas, seja pelo perfil sinuoso seja pelo piso mais escorregadio. Mas, com mais cuidado, mais esforço e com espírito de entreajuda, todas as dificuldades vão sendo superadas.

E os abastecimentos vão aparecendo. Águas, sumos, barras, muita e boa fruta e até mesmo minis bem fresquinhas, depositadas em enormes tinas com água e blocos de gelo, e, sobretudo, os deliciosos pastéis de bacalhau (tive de começar a recusar, sob pena de não conseguir pedalar o que restava), vão sendo um aliciante e motivador factor para continuar a enfrentar os km que ainda vão faltando.

fotografia de Afonso Estevão
Há momentos em que se pedala no meio de um grande grupo, que a partir de determinado ponto vamos conhecendo, pois são sempre os mesmos, aqueles que vão sensivelmente ao nosso ritmo, e outros em que vamos completamente isolados, apenas ouvindo a nossa respiração, o som dos pneus a rolar na terra e a natureza.

De repente, e apesar de virmos sempre a controlar o gps e o conta km e termos noção que já não falta muito para completar os 50 km previstos, somos surpreendidos pela entrada numa estrada de paralelo que reconhecemos: já estamos a chegar ao centro de ílhavo e, por isso, bem perto do fim. Mas ainda falta mais uma pequena incursão pelas estreitas ruas da cidade, para dar mais uma pequena volta mas sobretudo para podermos mais uma vez ser vistos pelas simpáticas gentes desta bela cidade e, especialmente, recebermos o seu carinho e incentivo finais, fazendo a grande recta em direcção ao pórtico que assinala o final de mais esta aventura.

Depois, falta pedalar novamente até à escola onde está o carro para guardar a bicicleta e tomar o tão merecido banho quente, com água quente mesmo, para finalmente poder aproveitar o retemperador e bem saboroso bacalhau, não sem antes comer mais uns pastelinhos do mesmo, que vêm até nós em tabuleiros enquanto estamos na fila de espera para entrar na sala para almoçar.


Mais uma excelente organização. Mais um excelente dia de btt. Mais uma grande iniciativa solidária. Rota do bacalhau 2015, quando marcam a data? 

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