quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

II trail de santa iria

Depois de uma semana praticamente ininterrupta de chuva (tem sido a normalidade, este ano, não?) e de no sábado, quando fomos a Branzêlo levantar os kit´s de participante, termos apanhado mais chuva e muito frio, levantar no domingo, ainda de madrugada, para ir tratar dos cães, e verificar que a água continuava a cair e que o frio se fazia também sentir, era motivo mais que suficiente para voltar para o conforto da casa e o quentinho da cama e passar, pelo menos uma vez, uma manhã inteira sem sair do ninho. Mas isso não seria um desafio; desafio era, e foi, mantermos o plano previsto e, assim, lá nos pusemos a caminho do II trail de santa iria.

Como lá tínhamos estado no dia anterior, já conhecíamos o caminho e, por isso, foi fácil lá chegar. Apesar de ser cedo, como chegamos sempre, havia já muita gente presente e, consequentemente, muitos carros estacionados. Mas mesmo assim não tivemos dificuldade em encontrar lugar, onde a viatura ficasse em segurança mas sobretudo não fosse um estorvo para os residentes e transeuntes. Aqui tivemos a ajuda de um local, pertencente à organização, que ao ver a nossa preocupação em verificar se o carro estava bem aparcado e não atrapalhava a circulação e segurança da via, nos disse, alto e claro: “amigo, aí está muito bem! Nesta rua quase não há trânsito e além disso não fica de fora!”. É sempre bom sermos recebidos com a expressão “amigo”, faz-nos sentir logo como se estivéssemos em casa, além de começar imediatamente a compensar a deslocação a novos lugares.


Faltava cerca de hora e meia para a hora da partida, o que deu tempo para passear um pouco, ver quem chegava, tomar um café e um bolinho para começar a repor energias por antecipação, e ir cumprimentando e trocando impressões com caras já conhecidas destas andanças e, sobretudo, com os amigos que sempre encontramos em cada evento.

Neste entretanto, boas notícias. O céu começava a clarear e dava lugar a um pouco de sol, além de a temperatura notoriamente estar a querer subir. Parecia que nem tudo ia ser mau: já sabíamos que devido às condições da semana anterior iríamos encontrar muita lama e água pelo caminho (e não nos desiludimos) mas, pelo menos assim, tudo apontava para que de cima não viesse mais líquido.


Depois de devidamente equipados e preparados para o desafio deste domingo, as fotos da praxe, algumas cortesia de outros participantes, a quem com todo o gosto retribuímos a gentileza e, após o controlo zero, a espera pela largada para o nosso 2º trail em conjunto, desta vez 13 km (que se vieram a verificar um pouco mais de 14…).

Início bem no centro da localidade, em estrada de paralelo – molhada, o que para os ténis de trail não é o melhor, obrigando a cuidados extra e, mesmo assim, verificando-se algumas pequenas escorregadelas – descendo até à estrada nacional, atravessando-a para imediatamente entrar no monte. Agora sim, era trail! E, em simultâneo, começavam as dificuldades: lama, terreno pesado e uma grande subida, com grande inclinação a partir do meio.


Como habitualmente, nos primeiros km o pelotão compacto, sempre se vai encontrando mais pessoas conhecidas, algumas a fazer a sua estreia, troca de piropos com outros participantes e os habituais incentivos a quem já sentia dificuldades pela longa e exigente subida inicial.

Lamentavelmente, não levámos a máquina fotográfica (avariou num dos últimos eventos de btt em que participámos) e tínhamos os telemóveis dentro das mochilas, em bolsas impermeáveis, o que tornava a logística de tirar fotos um pouco trabalhosa e demorada. Por este motivo, não registámos os diversos locais de extrema beleza por onde o percurso nos levou, desde vales com encostas super verdes até cimos de monte com vistas para todos os lados, curvas de rio e, inclusivamente, uns bons km mesmo junto ao rio Douro, a cerca de 1m da água.


Com maior ou menor dificuldade e perícia, lá fomos galgando os km e ultrapassando as exigências do percurso. Nos locais mais perigosos, sempre bem assinalados e em alguns casos com elementos da organização, notou-se um grande espírito de  entreajuda, característico de actividades de montanha, mas que deveria estar marcado em mais pessoas e, sobretudo, em mais desportos.

Chegada ao abastecimento intermédio, com água e bebidas energéticas, mas especialmente bem dotado de reforço alimentar, com frutas, marmelada e bolos variados. Cinco estrelas. Aqui a dificuldade era não comer demais, pois ainda havia mais 5 km para o final.


O recomeço após o abastecimento foi um pouco difícil. Apesar de a nossa paragem não ter sido demasiado longa nem termos ingerido excesso de mantimentos, a verdade é que o frio que estava – é certo que a temperatura estava melhor que nos dias anteriores, mas mesmo assim não fazia calor – nos fez arrefecer um pouco. Este facto, aliado a que os músculos relaxam um pouco com a pausa, torna um pouco penoso o reinício. Mas após uns minutos mais lentos, foi possível encontrar de novo o nosso ritmo.

E, logo após termos contrariado este pequeno torpor, eis que surge mais uma grande dificuldade: uma longa e inclinada subida, primeiro em asfalto (onde até tinha uma aviso para os carros devido à inclinação!) depois em terra e pedras, que nos levaria novamente quase até ao topo da montanha, de onde depois desceríamos para a meta e o tão desejado final.


Ou assim pensávamos! Quando, depois de passar o topo, iniciámos a descida, pensámos que seria sempre assim até terminar. Pois bem nos enganou a organização ao desenhar um percurso onde nos pôs a descer mais do que seria necessário para a meta, para nos fazer terminar o percurso com mais uma longa, estreita e inclinada subida, onde até quem ia de bicicleta a dar apoio sentia algumas dificuldades.

Mas isto não nos tirou o ânimo nem o espírito com que encaramos mais este desafio. Ainda tivemos tempo de sorrir para as fotografias finais e brincar com os fotógrafos, terminando o nosso percurso com a mesma boa disposição com que o tínhamos iniciado.

fotografia de wild
No final, mais um excelente abastecimento para repor as energias e, de seguida, pegar em tudo para nos dirigirmos ao pavilhão onde seriam os banhos.

Neste ponto, os nossos dois reparos/sugestões para a organização. O pavilhão era um pouco afastado do local de início/fim do percurso. Por este motivo, foram disponibilizados autocarros que faziam os transfers dos participantes entre um local e outro. Apesar de ser uma fantástica ideia e iniciativa, a verdade é que se verificou estar mal organizada. Estivemos muito tempo à espera do autocarro e acabámos por decidir ir no nosso próprio carro, após pedirmos indicações sobre como lá chegar. Ora acontece que os autocarros deveriam andar sempre um em sentido contrário do outro, largando e apanhando pessoas ininterruptamente. O que verificámos, quando nos dirigimos pelos nossos próprios meios, foi que a determinada altura ambos os autocarros estavam a sair do pavilhão no sentido da prova. Assim, tornava a espera demasiado longa para quem estivesse num dos lados, sobretudo para quem estava a arrefecer após o final da corrida.

fotografia de corredor de montanha

O outro reparo prende-se precisamente com os banhos. Acabámos por não tomar banho no pavilhão e tivemos de o fazer apenas após chegar a casa, quase uma hora e meia depois do final da prova (o que, além de desagradável, é sobretudo prejudicial para a saúde). Acontece que nos foi explicado pelo sr. do pavilhão, muito simpático e atencioso, que não havia água quente. Isto foi-nos confirmado por duas pessoas que estavam nos balneários e tinham experimentado a “ água gelada”, como referiram à saída. A razão prende-se com o facto de o aquecimento da água ser feito por caldeira (cilindro) e não por gás (esquentador). Obviamente, quando são demasiadas pessoas a gastar a água armazenada, entra nova água para reabastecer. Esta nova água, além de estar fria e demorar o seu tempo até atingir a temperatura ideal, vai também gelar a que se encontra ainda dentro da caldeira. Assim, torna-se impossível a existência de água quente após um determinado número de banhos. Sabemos que é difícil arranjar locais para banhos para um evento deste tipo mas, a serem previstos e anunciados, que seja escolhido um local onde este tipo de situação não se verifique.

Tirando estes dois pormenores, foi mais uma manhã de trail fantástica, em que valeu bem a pena ter resistido ao impulso de ter ficado em casa!

Venha o próximo! 


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

corrida dos reis - Aveiro

Aveiro é com toda a certeza uma das cidades mais bonitas do nosso pais. É também a cidade onde passo uma boa parte da minha vida profissional. Mas é, acima de tudo, a cidade que adoptei e que me adoptou como seu.

No entanto, ainda não tinha tido oportunidade de participar num evento de corrida neste local. Mas chegou Janeiro de 2014 e com ele a corrida dos reis / neon run e não podia deixar fugir esta hipótese. Tratei então da inscrição, apenas para mim pois a Anita ficaria em Lisboa no fim de semana, e estavam lançados os dados.

O dia chegou após uma semana de chuva e frio e a possibilidade de mau tempo durante o evento era grande. No entanto, tal como tem, felizmente, acontecido até agora, os deuses da corrida estiveram do nosso lado e não só não choveu como também o vento era fraco. Estava frio, é certo, mas não o frio dos dias anteriores; apenas um fresco que se fazia sentir se estivéssemos parados mas que em plena corrida não se notava.


Como sempre, dirigi-me cedo para perto do local onde seria a partida por forma a estacionar com calma e em lugar que fosse suficientemente perto para não perder muito tempo na deslocação a pé entre partida/chegada e o carro mas também suficientemente longe para não ficar encurralado com o corte de trânsito. Assim foi, deixei o carro no estacionamento do pavilhão dos Galitos, uma das entidades organizadoras do evento.

Faltava um pouco mais de uma hora para o início da corrida. Foi então tempo de realizar alguns telefonemas, para todos os amigos que também iam participar nesta corrida, para podermos combinar encontro antes da partida. Não seria possível fazermos o percurso juntos, pois são todos bem mais rápidos que eu, nem saberíamos se no final daria para nos juntarmos, mas antes com certeza que não perderíamos oportunidade de nos reunirmos.

Depois de tudo combinado, estava na altura de vestir o equipamento e colocar-me a caminho da zona de partida, junto da antiga fábrica de cerâmica Campos, onde aproveitei para tirar algumas fotos da praxe e descontrair na conversa com os amigos que entretanto iam chegando.


Um excelente ambiente fazia-se sentir por todos aqueles que se preparavam para participar nesta corrida. Além da alegria e boa disposição geral, as luzes que muita gente tinha e que faziam parte do pack de quem se inscreveu na neon run, davam um colorido extra e uma animação especial à avenida onde seria dado o tiro de partida e também onde seria cortada a meta.

A partida foi dada um pouco depois da hora inicialmente marcada, mas a organização tinha alertado para este facto, e então toda a gente se fez ao percurso estabelecido: duas voltas a um percurso de 5 km, que passava por algumas das zonas emblemáticas da cidade (estação CP, avenida principal, pontes, sé). Este evento incluía também uma caminhada, que partiu a seguir aos participantes da corrida, que consistia apenas numa volta ao mesmo percurso.

O início do percurso foi feito em grupo quase compacto, sem grandes dificuldades: uma pequena subida até à estação e depois a grande descida de toda a avenida até às pontes. Aqui começava uma pequena dificuldade, a subida até à sé. Depois a grande avenida dos liceus, plana e larga, novamente sem dificuldades, até à pequena mas inclinada subida que atravessa a linha de comboio. Virada à direita em direcção ao pingo doce onde havia um retorno que levaria de volta à passagem perto (não exactamente no mesmo local) da partida.


Aqui surgiria aquela que, para mim, foi a maior dificuldade. Tenho reparado ao longo do tempo me custa mais correr em circuito. Ou seja, se o percurso for sem grandes repetições (como por exemplo na meia maratona do porto, onde havia dois retornos, passando duas vezes no mesmo local mas em sentidos contrários) não tenho problemas. Agora se for um trajecto do tipo circular (como neste caso, em que parece que estamos a correr em pista, às voltas sem sair do mesmo lugar) já não gosto tanto e sinto-me fraquejar, ainda que acredito que seja sobretudo uma fraqueza mental.

Por este motivo, sentir maior dificuldade entre o 5º e o 7º km que, apesar de serem iguais ao 1º e 2º (isto é, pequena subida e grande descida), foram mais lentos e custosos. Mas entretanto convenci-me que não era fisicamente que estava mal, e sim psicologicamente, e obriguei-me a combater isso e voltar a um ritmo mais meu. 
 
E assim foi, depois de passar as pontes, na segunda subida para a sé, recuperei, recolei-me às pessoas junto das quais tinha feito toda a primeira volta, e voltei a sentir-me bem comigo próprio e com a corrida e retomei o meu ritmo, que não mais abandonaria até ao final. 


Nesta parte final ainda deu para conversar um pouco com um PT que ia a acompanhar uns seus atletas, incentivando-os e ajudando-os a manter o foco e, sobretudo, o ritmo e a não desistir. Fomos uma centena de metros a conversar sobre a corrida que estávamos a fazer mas também sobre outros eventos e outros desportos que ambos praticamos.

Já na última avenida, já em direcção à meta, consegui ainda aumentar um pouco o rtimo (foram cerca de 600 ou 700 m acima do meu normal), numa tentativa de recuperar o que tinha perdido no início da segunda volta, por forma a não fazer demorar mais que o habitual na distância. E, com isto, creio que provei que a minha quebra foi mesmo mental e não física, pois este aumento de ritmo foi feito sem grande sacrifício.

Depois de cortar a meta, foi ainda possível estar com os amigos novamente, que tinham feito entre 10 a 15 minutos menos que eu, mas que ficaram na conversa perto do final à espera de nos reunirmos.


De seguida voltei ao carro, fui tomar banho – e aqui uma nota para a organização, que considero ter falhado neste ponto: estando a partida/chegada situada mais ou menos a meio caminho entre o pavilhão e as piscinas dos Galitos, entidade organizadora como já referi, não foram disponibilizados balneários para os participantes; isto impede, desde logo, que interessados de outras cidades, um pouco mais afastadas, efectivamente participem: não é agradável fazer uma corrida, transpirar, às vezes até sujarmo-nos, e não poder tomar banho para trocar de roupa e poder usufruir, de seguida, das ofertas turísticas e gastronómicas dos lugares de realização dos eventos - e encontrar-me com um outro amigo (curiosamente o mesmo que tinha jantado connosco em Coimbra na semana anterior) para ir aproveitar uma bela pizza e uma champanhada num dos meus locais preferidos para este tipo de refeição: a Pizzarte.

Mais uma participação satisfatória num evento de corrida, desta vez numa cidade muito especial! 

Vamos à próxima!


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

36ª S. Silvestre cidade de Coimbra



As corridas de S. Silvestre são quase míticas. Algumas mais que outras, é certo, mas ainda assim todas com uma aura especial, seja pela altura do ano em que são realizadas, seja pela hora do dia (da noite, melhor dizendo) em que se iniciam. Por esse motivo, toda a gente que se inicia nas corridas sonha em um dia correr uma. 

Enquanto o Pedro já tinha participado por duas vezes na S. Silvestre do Porto, a Anita ainda não tinha tido oportunidade de correr uma, fosse qual fosse. A verdade é que as duas em que mais provavelmente participaríamos seriam Porto ou Lisboa, mas a realidade é que as datas em que costumam ocorrer não se têm coordenado com as nossas disponibilidades: a do Porto é sempre num fim de semana em que a Anita tem compromissos de trabalho e a de Lisboa realiza-se sempre numa data em que estamos ambos no Porto.

Desta vez, havia uma janela de oportunidade: a 36ª S. Silvestre cidade de Coimbra, marcada para uma data em que ambos estaríamos no Porto e não tínhamos quaisquer outros compromissos. Tomada a decisão, fizemos a respectiva inscrição e pagamento. E, chegada a data, lá partimos para a primeira S. Silvestre que correríamos juntos.

Chegámos cedo a Coimbra, pois apesar de a prova apenas ter início pelas 18h30 (ainda que a partir das 17h30 houvesse várias corridas para os mais jovens), era necessário levantar os dorsais, o que teria de ser feito até às 16h. Por outro lado, como habitualmente, queríamos chegar e poder estacionar calmamente e estar relaxados até à hora de tomar o nosso lugar na partida.


Levantados os dorsais e estacionado o carro, era tempo de irmos lanchar na esplanada bem na praça da República, onde seria a partida/chegada da corrida e, depois, dar um pequeno passeio pelas redondezas, nomeadamente pelo jardim da sereia, até à hora de vermos os mais jovens de todos fazer a sua prova.

Depois foi voltar ao carro para a troca de roupa para o equipamento de corrida e dirigirmo-nos então novamente para o local de início para uns exercícios de aquecimento. Desta vez, o aquecimento, contrariamente ao nosso habitual, incluiu mesmo uma corrida, embora a ritmo lento, tal era o frio que se fazia sentir. 


A partida deu-se à hora marcada e sem grandes confusões, apesar do grande número de participantes. Começávamos no sentido ascendente da avenida, mesmo à frente do teatro Gil Vicente, contornando toda a praça para logo depois iniciarmos a descida de toda a avenida até à rua da Sofia. Ou seja, primeiro km a descer e a convidar a ritmos rápidos, mas era necessário poupar energias.

Depois de sair da rua da Sofia, percorria-se a avenida Fernão Magalhães, passando pela estação de comboios, largo da portagem e correndo sempre junto ao rio em direcção à rua do Brasil. E a partir daqui começariam as dificuldades.


Uma primeira pequena subida, curta mas inclinada, para acesso a uma outra subida, um pouco mais comprida mas menos inclinada, seguida de uma outra ainda, mais curta mas ainda mais inclinada, até entrarmos mesmo na rua do Brasil. Três subidas seguidas (ou uma com diferentes inclinações?) que já fizeram as suas mossas em todos quantos pudemos observar.

Depois voltávamos à direita e podíamos respirar durante umas centenas de metros, em que descíamos até ao abastecimento de água, perto dos 5 km. A seguir, mais uma pequena subida, pouco inclinada e curta, que passava mesmo junto da igreja de S. José e bastante perto do estádio municipal. Chegando aos semáforos, curva à esquerda para uma pequena recta plana, antes da maior dificuldade da noite: a longa e inclinada subida da rua dos combatentes até ao jardim botânico. 


Depois de passar o jardim, estávamos já perto da chegada, já a víamos, mas ainda era necessário ir dar uma volta pela rua de Tomar para contornar todo o perímetro do jardim da sereia, por forma a entrar de novo na praça da república. Aqui chegados, uma semelhança com a S. Silvestre do Porto: já estávamos ao lado da meta, mas teríamos de passar por ela, descer a avenida Sá da Bandeira até à pequena rotunda, onde invertíamos caminho para o lado ascendente, em direcção à meta, à frente do teatro, o mesmo local de onde partíramos. 

A nossa chegada decorreu sem qualquer problema, com 50 minutos em 9 km, sendo praticamente metade a subir, recebemos as nossas medalhas de finisher e umas garrafas de água, tiramos a foto da praxe e dirigimo-nos ao carro (a correr para não arrefecer) para nos pormos a caminho do pavilhão multidesportos, onde foram disponibilizados os banhos quentes a todos os participantes.

  
Depois do banho, encontro com uns amigos para um belo jantar e um bom convívio antes de regressarmos a casa, já tarde, cansados, mas satisfeitos! 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Xmas Trail

O trail é uma modalidade que tem crescido bastante nos últimos tempos, não só pelo nº de adeptos que tem cada vez mais captado, mas também pelo aumento da sua divulgação e cada vez maior nº de eventos organizados.

Apesar de alguns amigos, desde há algum tempo, nos tentarem convencer a experimentar o trail, sempre fomos (especialmente eu), algo reticentes a fazê-lo. Pensava sempre: para fazer trail é preciso treinar com frequência! Se não tenho grande tempo de correr durante a semana e as corridas de estrada já não são simples, principalmente as que têm percursos mais agressivos com frequentes subidas e descidas, correr no monte está fora de questão! Até porque, nesses percursos mais inconstantes, os joelhos também se começam a ressentir e, claro está, o que menos queremos é ter lesões! Não, trail, não é para mim, pensava e dizia eu! Contudo, para além de os amigos continuarem a insistir connosco, as mensagens que nos passam, como “correr no meio da natureza, ao contrário do que se pensa, é mais fácil, para além da envolvente que é muito mais agradável, o espírito de grupo é de uma grande entreajuda e maior convívio, etc”, o Pedro estava cada vez mais com vontade em participar neste tipo de provas. Eu, ao longo do tempo, comecei a colocar a hipótese de experimentar. No entanto, para começar, não poderia ser um percurso demasiado longo – no trail, os percursos ditos curtos, para mim, são demasiado longos… (+/-21Km)


Tendo conhecimento do treino de 9 km que iria haver em Perosinho, como preparação para o Xmas Trail 2013 que iria decorrer em Dezembro, nem hesitamos em nos inscrever. Apesar da dificuldade acrescida, pois este tipo de percurso obriga a trabalhar os músculos de forma diferente à corrida de estrada, gostámos, divertimo-nos e pensamos logo em repetir. O próximo passo seria então inscrevermo-nos na prova que iria decorrer no dia 22 de Dezembro, a qual teria, acima de tudo, um cariz social, a mães desfavorecidas do Centro Hospitalar Gaia Espinho.

Eis que chegou o grande dia! Entretanto acabou por não ser a 1ª prova do Pedro, dado que teve a oportunidade de participar no fim de semana anterior no Cantanhede Xmas trail race (além do trail do grupo desportivo dos quatro caminhos, em Junho). Mas foi a minha 1ª prova oficial e a dos 2 juntos.

fotografia de momentos do trail
Às 8h40 saímos de casa. E pelas 9h00 já estávamos no local da prova. Ainda deu tempo para ir ao café e voltar ao carro para os últimos preparativos para a corrida. Dirigimo-nos de seguida, e com algum frio, para o interior do pavilhão gimnodesportivo, onde se estavam a concentrar todos os atletas. A animação era grande e ajudava a aquecer o ambiente. Durante este tempo, iam aparecendo amigos e conhecidos a quem íamos acenando ou trocando umas palavras, enquanto tirávamos umas fotos, como habitual. A determinada altura fomos encaminhados para o relvado do campo de futebol, onde iria ser dada a partida. Durante algumas indicações que o speaker dava, ainda houve tempo para uns exercícios de aquecimento, também para “espantar” o frio que se fazia sentir. Pouco depois, ouve-se o sinal de partida. 

O 1º km foi ainda pelas redondezas, em asfalto, e apenas depois entramos no monte. Os dois primeiros Km’s passaram rapidamente. Nessa altura tivemos também de travar o ritmo, pois o local afunilava e praticamente se passava em fila indiana. O que até foi bom, deu para repor a respiração e as forças. E não foi só nesta parte do percurso, aconteceu algumas vezes, principalmente em subidas ingremes ou acidentadas. E muitas pessoas baixavam o ritmo, tal como nós. Isso permite não criar uma certa frustração por não conseguirmos fazer o percurso todo a correr. O trail é mesmo assim, dizíamos nós (ainda para mais, sabendo que estamos a dar os primeiros passos na modalidade).

fotografia de Carlos Coutinho Alves
Genericamente, o percurso pareceu-nos estar bem marcado, apesar de ter havido pessoas que se enganaram… Nas encruzilhadas havia ainda elementos do staff a indicar a direção a seguir. A contagem de Km’s também estava bem sinalizada. A determinada altura, comecei a fazer a contagem decrescente para o 1º abastecimento que seria ao km 8. Estava previsto haver aletria e bebidas. Quando vejo a placa a informar que faltam 200m, comento com o Pedro: “só faltam 200m para a aletria!”. No entanto, quando lá chegamos, qual não foi o nosso espanto, quando nos deparamos apenas com copos vazios. Nem água havia já. A justificação dada mais tarde foi de que a caminhada passou por aquele abastecimento, quando tal não estava previsto, e levou a essa rutura antecipada. Bem, ao menos, valeu-nos a mochila com água que, apesar da incerteza inicial, acabamos por levar às costas.

Lá seguimos então para a 2ª parte deste desafio: chegar ao 2º abastecimento ao km 13. Passada a 1ª parte do percurso em carrossel, a partir de agora, haveria a oportunidade de a corrida fluir mais, dentro do limite de cada um, claro. E, realmente, estes 5 Km’s fizeram-se com relativa facilidade e maior rapidez, apesar de continuar a haver perdas de ritmo em algumas subidas, que fizemos a passo rápido. Chegamos assim ao abastecimento, onde, desta vez, nada faltava: fruta, rabanadas e líquidos. E que bem que soube a laranjinha doce e suculenta nesta altura… Não perdendo muito tempo, pusemo-nos novamente a caminho da reta final. Faltavam apenas 2 Km’s que num instante se fizeram.

fotografia de Carlos Coutinho Alves
A meta seria dentro do pavilhão gimnodesportivo, onde estavam os computadores que cronometravam a chegada. Imediatamente antes, estava o speaker, já conhecido de outras corridas, a felicitar os finalistas. Também ele nos reconheceu de outras andanças, tendo até comentado: “estava a ver que não chegavam!”, dando a cada um de nós um caloroso Hi5. Sinceramente ainda não tinha percebido que estava na meta e, como tal, não tive a reação de fazer a habitual chegada de mão dada com o Pedro. Logo ali, havia o último abastecimento, com mais fruta, bolo-rei e líquidos.

Dirigimo-nos para dentro do campo do pavilhão para uns obrigatórios alongamentos. Simultaneamente, fomos falando com alguns amigos que por ali passavam também, a trocar opiniões sobre a prova. Neste dia, fica-nos um dos comentários na memória: “depois de fazer um trail, correr na estrada é para meninos!”. Foi sem dúvida um comentário inesperado e que nos fez realmente rir. Percebemos perfeitamente o intuito desta mensagem e sentíamo-la no corpo, principalmente nas pernas.

já a chegar à meta, apenas faltava entrar no pavilhão
Apesar de termos a possibilidade de usar os balneários do recinto para o ansiado banho, preferimos dirigirmo-nos ao carro para troca de roupa e rumarmos a casa, onde seria mais confortável tomar banho e com menos correntes de ar que se faziam sentir no pavilhão.

Gostamos e queremos repetir! Apesar de percebermos o que os nossos amigos nos diziam sobre as vantagens de fazermos o trail, pela nossa experiência em btt, sentimos exatamente a mítica que está por trás desta modalidade. Não havendo dores nos joelhos ou outro tipo de lesões, é objetivo para 2014 aumentar a nossa participação neste tipo de eventos.
 
no final, enquanto fazíamos alongamentos