terça-feira, 4 de março de 2014

IV duatlo de Famalicão - 2 de Março 2014


Foi no ano passado, precisamente por esta altura, que fizemos o nosso 1º duatlo. Nesse momento pensámos: já fazemos btt há algum tempo e, recentemente, temos feito umas corridinhas, porque não participarmos numa prova composta pelas 2 modalidades? E assim foi, inscrevemo-nos, participámos no desafio, gostámos, não só pela experiência, mas pela fantástica organização, e pensamos em repetir. 


Um ano passou e cá estamos nós, após a realização da mesma prova em 2014. Assim que soubemos que abriram as inscrições, não perdemos tempo a formalizar as nossas e a garantir a presença da P&A Team no evento. Apesar do Inverno rigoroso que se tem vindo a sentir, ainda faltavam uns 2 meses para a prova e pensamos: o tempo haverá de melhorar e, sabendo que a prova está agendada para o início de março, contamos que a Primavera nos presenteie com a sua vinda antecipada, como aliás aconteceu em 2013. A semana anterior até que não foi má de todo, mas precisamente a dois dias do evento, as previsões meteorológicas não eram nada animadoras, nem para o Carnaval, nem para este duatlo. Nós, como apenas entramos nestas provas por gosto e apenas com os objetivos de nos divertirmos e fazermos o nosso melhor – e chegar ao final sem lesões - combinámos: “Amanhã, se chover torrencialmente e com chuva pesada, não vamos ao duatlo. Vemos como está o tempo e logo decidimos o que fazer”. E assim foi: no dia seguinte, acordamos bem cedo para que às 8h00 estivéssemos preparados para sair de casa, dado que, apesar do dia cinzento, a chuva não era “pesada”.


Perto das 8h30 estávamos a estacionar o carro, para nos dirigirmos ao secretariado para o levantamento dos dorsais. Posteriormente, ainda tivemos tempo de ir tomar um café relaxadamente e, ainda, decidir se participaríamos ou não na prova. É que, uma coisa é começar uma prova com o tempo seco e, durante o percurso, começar a chover. Outra coisa é começar uma prova já debaixo de chuva… não é nada agradável nem motivador… Mas como o que estava combinado seria não entrar na prova apenas se estivesse a cair chuva “pesada”, lá decidimos participar (até porque já nos tínhamos levantado tão cedo e ido até Famalicão, não quereríamos perder a viagem!).

Voltamos assim ao carro para terminar de nos equipar e preparar o material necessário para deixar no local de transição, nomeadamente, as bicicletas, os capacetes, as luvas e uns calções almofadados, para o percurso de btt. Levamos ainda uma caixa de plástico fechada com a devida identificação da P&A Team para que o material não se molhasse demasiado, especialmente os calções. No entanto, para nossa surpresa (coisa de novatos) não nos deixaram colocar a caixa dentro do recinto, pois, sendo esta uma prova organizada pela federação de triatlo, todo o material deveria ser uniforme e devidamente fornecido pela própria organização. Com isto, fiquei dentro do recinto enquanto o Pedro foi ao carro levar a caixa e trazer uns sacos plásticos para colocarmos o material, já que, após a saída do recinto de transição, não poderíamos voltar a entrar. Foi mesmo no limite de tempo que o Pedro apareceu com os sacos e eu, a correr, me dirigi junto das nossas coisas e as coloquei devidamente nos plásticos fechados, enquanto a organização evacuava já todo este recinto. Ufa… 1º prova superada!!! Eheheh


Com isto, faltavam 9 minutos para o início do duatlo, composto, uma vez mais, por um circuito de corrida de aproximadamente 5 km, outro de 20 km de bicicleta e, por fim, um de 2,5 km de corrida.

E sem a chuva parar, lá nos dirigimos para o local de partida, equipados a rigor: impermeáveis – casaco e boné. Como sempre, ficamos no final do grupo. Ao sinal de partida, lá começamos a corrida ao nosso ritmo. Uns metros em estrada, até entrarmos no Parque da Devesa, onde a subida inicial desde logo fazia alguma mossa, mas lá nos aguentamos sem parar. Duas voltas ao parque, que totalizou pouco mais de 5 km, em que até nos saímos bem, com uns orgulhosos 5,33/km. 


Altura agora de fazer a transição para a prova de btt. Entramos no recinto das bicicletas, vestimos os nossos (sequinhos) calções, colocamos as luvas e o capacete e partimos para a 2ª parte da prova. Mal sabíamos o que nos esperava… Não obstante a limpeza e o alisamento de terras que a organização efectuou nos dias anteriores, o trajecto estava quase impraticável, com muita, muita, muita, muita, mas muita e muita lama!!!! Cansava só de ver! 

Esta parte era composta por 2 voltas a um percurso de aproximadamente 10 km. Assim sendo, algum tempo após termos partido, passavam já por nós os primeiros atletas na sua 2ª volta. Para não atrapalhar, à semelhança do que aconteceu no ano passado, perdemos (mais eu) muito tempo a deixá-los passar. A determinada altura senti mesmo uma sensação de dejá vu, pois na prova anterior passei exactamente pelo mesmo: alguma frustração por estar ali parada a ver os outros passar, mas a sentir que seria a minha obrigação, dado que não estou a competir e não queria estar a estragar os tempos dos outros… Contudo, a dificuldade do caminho, mais todos os tempos de espera, levaram a que terminássemos a 1ª volta em 1h15. Ao longo dos trilhos mais difíceis de transitar, em que tinha mesmo que ir a pé, só me ocorria: “só de pensar que vou ter que passar por aqui outra vez…”. Eu e o Pedro falámos algumas vezes em não fazermos a 2ª volta. Estava tão difícil de circular, que talvez não fizesse sentido o esforço, ainda para mais, ao ter sido reconhecida oficialmente como a última participante em prova, dado que a pessoa da organização que fechava o grupo nos acompanhou nos últimos km. Bem, saindo do mato, descemos em direcção ao local de transição e eu disse ao Pedro: “vamos à 2ª volta, a menos que não possamos, dado estarmos a demorar tanto tempo. Mas já que nos levantamos cedo, já estamos molhados e sujos de lama, porque não fazer até ao final? Não estamos em sofrimento por limite de esforço, vamos ao nosso ritmo, não estamos com dores, “bora lá””. Ao que ele disse que não tinha sido anunciado limite de tempo, pelo que poderíamos fazer nova volta. E foi assim que, no local de decisão de ir para o local de transição, continuamos a prova em direcção à 2ª volta de btt, debaixo dos olhares de surpresa de quem por ali ainda estava a assistir. A pessoa que fechava o grupo lá nos acompanhou também nesta 2ª volta. Apesar de lhe ter dito algumas vezes que não precisava de ir connosco, pois não estávamos sozinhos, ele, com grande apoio, abertura e boa disposição, lá nos acompanhou até ao final, cumprindo assim as regras a que uma organização como esta obriga. Não podemos deixar, contudo, de agradecer toda a sua paciência!

fotografia de Nuno Faria
Nesta 2ª volta, as paragens ocorreram apenas quando a bicicleta ficava enterrada na lama. Todos já iam à nossa frente, pelo que já não tive que parar para deixar alguém passar. E, desta forma, apesar de termos demorado a fazer o percurso, não foi tanto como na 1ª volta. No final, tivemos grande ovação de quem esperava por nós – ser os últimos tem destas coisas... 

E já lá iam quase 3h de prova, mas ainda nos faltava o último desafio: 2,5 km de corrida, isto é, uma volta ao parque! Ouvia-se uma voz “estes ainda vão correr”… Mas, depois do percurso que tivemos de fazer de bicicleta, até fizemos esta volta com um sorriso na cara. Estávamos contentes por estarmos a conseguir cumprir mais um desafio, mesmo que em último lugar, pensávamos nós. Sim, porque a 1 km da meta ainda passamos por um atleta e, afinal, conseguimos não ficar em último lugar na classificação geral. Na verdade é praticamente a mesma coisa, apenas ficamos surpreendidos por ainda termos encontrado um atleta em prova (inicialmente até pensamos que já tinha terminado e andava apenas a relaxar os músculos… eheheh). E na prática, muita gente ficou atrás de nós os 3: a quantidade de participantes que desistiu a meio da prova bem como todos aqueles que nem sequer apareceram.

fotografia de Sofia Brito
No final da (nossa) prova, já decorria a entrega de prémios. Comemos umas doces laranjas e lá fomos arrumar as nossas coisas e tomar o tão desejado banho. O pavilhão disponibilizado tinha umas excelentes condições: à entrada havia mangueiras para quem quisesse lavar as bicicletas e, depois de tanta gente que terá tomado banho antes de nós, a água estava quentinha, o que soube mesmo muito bem!

Em termos de balanço: apesar de não treinarmos para fazermos melhores tempos, a verdade é que não gostamos de fazer pior do que nas vezes anteriores. No mínimo, o mesmo tempo. Contudo, desta vez tal não aconteceu. Isso deveu-se a vários factores: o 1º sem dúvida que de deveu ao piso no percurso de btt. Em termos técnicos, este percurso seria de dificuldade baixa, mas a quantidade de lama aumentou exponencialmente esse grau de dificuldade. Depois, se raramente temos andado de bicicleta, particularmente no monte, também será de esperar não encontrar facilidades. Ainda assim, sentimo-nos orgulhosos por termos ido até ao final e por termos lido comentários de motivação a quem demorou o nosso tempo a terminar a prova, e através dos quais a “carapuça nos serviu”: “lição de força e luta!”, “persistência e coragem!”. Ainda para mais, se estivemos juntos em mais um desafio e se, também juntos, nos divertimos enquanto o fazíamos, que mais motivação poderemos querer?

fotografia de Rui Teixeira

Que venha o próximo!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

porque nem só para o desporto precisamos de motivação


"O QUE FAÇO PARA ENCONTRAR INSPIRAÇÃO (não para correr, mas para trabalhar numa tarde fria de sábado em que era tão bom estar deitada no sofá em frente à lareira a ver os filmes "bons" que passam na "televisão dos pobres" - entenda-se a televisão que só tem os quatro canais).

- vejo um pequeno filme inspirador: 



- sonho no dia em que lá estarei também a correr enquanto ouço algumas músicas da minha playlist de corrida: 
Intro (The XX); 
Miserlou (Dick Dale and His Del Tones); 
Without You (David Guetta ft. Usher) 


Bitter Sweet Symphony (Verve); 
Valery (Amy Winehouse)

e para terminar, mais contextualizado com a paisagem, mas já a pensar na próxima paragem - Come Fly With Me (Frank Sinatra)

Agora, toca a trabalhar."

Sílvia Alves


 ----------------


Sílvia Alves é, além de uma amiga, um elemento integrante da P&A Team e que tem tentado motivar cada vez mais não apenas a si própria mas também as pessoas que a rodeiam no seu quotidiano.

Continua no bom caminho, Sílvia! 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

II trail de santa iria

Depois de uma semana praticamente ininterrupta de chuva (tem sido a normalidade, este ano, não?) e de no sábado, quando fomos a Branzêlo levantar os kit´s de participante, termos apanhado mais chuva e muito frio, levantar no domingo, ainda de madrugada, para ir tratar dos cães, e verificar que a água continuava a cair e que o frio se fazia também sentir, era motivo mais que suficiente para voltar para o conforto da casa e o quentinho da cama e passar, pelo menos uma vez, uma manhã inteira sem sair do ninho. Mas isso não seria um desafio; desafio era, e foi, mantermos o plano previsto e, assim, lá nos pusemos a caminho do II trail de santa iria.

Como lá tínhamos estado no dia anterior, já conhecíamos o caminho e, por isso, foi fácil lá chegar. Apesar de ser cedo, como chegamos sempre, havia já muita gente presente e, consequentemente, muitos carros estacionados. Mas mesmo assim não tivemos dificuldade em encontrar lugar, onde a viatura ficasse em segurança mas sobretudo não fosse um estorvo para os residentes e transeuntes. Aqui tivemos a ajuda de um local, pertencente à organização, que ao ver a nossa preocupação em verificar se o carro estava bem aparcado e não atrapalhava a circulação e segurança da via, nos disse, alto e claro: “amigo, aí está muito bem! Nesta rua quase não há trânsito e além disso não fica de fora!”. É sempre bom sermos recebidos com a expressão “amigo”, faz-nos sentir logo como se estivéssemos em casa, além de começar imediatamente a compensar a deslocação a novos lugares.


Faltava cerca de hora e meia para a hora da partida, o que deu tempo para passear um pouco, ver quem chegava, tomar um café e um bolinho para começar a repor energias por antecipação, e ir cumprimentando e trocando impressões com caras já conhecidas destas andanças e, sobretudo, com os amigos que sempre encontramos em cada evento.

Neste entretanto, boas notícias. O céu começava a clarear e dava lugar a um pouco de sol, além de a temperatura notoriamente estar a querer subir. Parecia que nem tudo ia ser mau: já sabíamos que devido às condições da semana anterior iríamos encontrar muita lama e água pelo caminho (e não nos desiludimos) mas, pelo menos assim, tudo apontava para que de cima não viesse mais líquido.


Depois de devidamente equipados e preparados para o desafio deste domingo, as fotos da praxe, algumas cortesia de outros participantes, a quem com todo o gosto retribuímos a gentileza e, após o controlo zero, a espera pela largada para o nosso 2º trail em conjunto, desta vez 13 km (que se vieram a verificar um pouco mais de 14…).

Início bem no centro da localidade, em estrada de paralelo – molhada, o que para os ténis de trail não é o melhor, obrigando a cuidados extra e, mesmo assim, verificando-se algumas pequenas escorregadelas – descendo até à estrada nacional, atravessando-a para imediatamente entrar no monte. Agora sim, era trail! E, em simultâneo, começavam as dificuldades: lama, terreno pesado e uma grande subida, com grande inclinação a partir do meio.


Como habitualmente, nos primeiros km o pelotão compacto, sempre se vai encontrando mais pessoas conhecidas, algumas a fazer a sua estreia, troca de piropos com outros participantes e os habituais incentivos a quem já sentia dificuldades pela longa e exigente subida inicial.

Lamentavelmente, não levámos a máquina fotográfica (avariou num dos últimos eventos de btt em que participámos) e tínhamos os telemóveis dentro das mochilas, em bolsas impermeáveis, o que tornava a logística de tirar fotos um pouco trabalhosa e demorada. Por este motivo, não registámos os diversos locais de extrema beleza por onde o percurso nos levou, desde vales com encostas super verdes até cimos de monte com vistas para todos os lados, curvas de rio e, inclusivamente, uns bons km mesmo junto ao rio Douro, a cerca de 1m da água.


Com maior ou menor dificuldade e perícia, lá fomos galgando os km e ultrapassando as exigências do percurso. Nos locais mais perigosos, sempre bem assinalados e em alguns casos com elementos da organização, notou-se um grande espírito de  entreajuda, característico de actividades de montanha, mas que deveria estar marcado em mais pessoas e, sobretudo, em mais desportos.

Chegada ao abastecimento intermédio, com água e bebidas energéticas, mas especialmente bem dotado de reforço alimentar, com frutas, marmelada e bolos variados. Cinco estrelas. Aqui a dificuldade era não comer demais, pois ainda havia mais 5 km para o final.


O recomeço após o abastecimento foi um pouco difícil. Apesar de a nossa paragem não ter sido demasiado longa nem termos ingerido excesso de mantimentos, a verdade é que o frio que estava – é certo que a temperatura estava melhor que nos dias anteriores, mas mesmo assim não fazia calor – nos fez arrefecer um pouco. Este facto, aliado a que os músculos relaxam um pouco com a pausa, torna um pouco penoso o reinício. Mas após uns minutos mais lentos, foi possível encontrar de novo o nosso ritmo.

E, logo após termos contrariado este pequeno torpor, eis que surge mais uma grande dificuldade: uma longa e inclinada subida, primeiro em asfalto (onde até tinha uma aviso para os carros devido à inclinação!) depois em terra e pedras, que nos levaria novamente quase até ao topo da montanha, de onde depois desceríamos para a meta e o tão desejado final.


Ou assim pensávamos! Quando, depois de passar o topo, iniciámos a descida, pensámos que seria sempre assim até terminar. Pois bem nos enganou a organização ao desenhar um percurso onde nos pôs a descer mais do que seria necessário para a meta, para nos fazer terminar o percurso com mais uma longa, estreita e inclinada subida, onde até quem ia de bicicleta a dar apoio sentia algumas dificuldades.

Mas isto não nos tirou o ânimo nem o espírito com que encaramos mais este desafio. Ainda tivemos tempo de sorrir para as fotografias finais e brincar com os fotógrafos, terminando o nosso percurso com a mesma boa disposição com que o tínhamos iniciado.

fotografia de wild
No final, mais um excelente abastecimento para repor as energias e, de seguida, pegar em tudo para nos dirigirmos ao pavilhão onde seriam os banhos.

Neste ponto, os nossos dois reparos/sugestões para a organização. O pavilhão era um pouco afastado do local de início/fim do percurso. Por este motivo, foram disponibilizados autocarros que faziam os transfers dos participantes entre um local e outro. Apesar de ser uma fantástica ideia e iniciativa, a verdade é que se verificou estar mal organizada. Estivemos muito tempo à espera do autocarro e acabámos por decidir ir no nosso próprio carro, após pedirmos indicações sobre como lá chegar. Ora acontece que os autocarros deveriam andar sempre um em sentido contrário do outro, largando e apanhando pessoas ininterruptamente. O que verificámos, quando nos dirigimos pelos nossos próprios meios, foi que a determinada altura ambos os autocarros estavam a sair do pavilhão no sentido da prova. Assim, tornava a espera demasiado longa para quem estivesse num dos lados, sobretudo para quem estava a arrefecer após o final da corrida.

fotografia de corredor de montanha

O outro reparo prende-se precisamente com os banhos. Acabámos por não tomar banho no pavilhão e tivemos de o fazer apenas após chegar a casa, quase uma hora e meia depois do final da prova (o que, além de desagradável, é sobretudo prejudicial para a saúde). Acontece que nos foi explicado pelo sr. do pavilhão, muito simpático e atencioso, que não havia água quente. Isto foi-nos confirmado por duas pessoas que estavam nos balneários e tinham experimentado a “ água gelada”, como referiram à saída. A razão prende-se com o facto de o aquecimento da água ser feito por caldeira (cilindro) e não por gás (esquentador). Obviamente, quando são demasiadas pessoas a gastar a água armazenada, entra nova água para reabastecer. Esta nova água, além de estar fria e demorar o seu tempo até atingir a temperatura ideal, vai também gelar a que se encontra ainda dentro da caldeira. Assim, torna-se impossível a existência de água quente após um determinado número de banhos. Sabemos que é difícil arranjar locais para banhos para um evento deste tipo mas, a serem previstos e anunciados, que seja escolhido um local onde este tipo de situação não se verifique.

Tirando estes dois pormenores, foi mais uma manhã de trail fantástica, em que valeu bem a pena ter resistido ao impulso de ter ficado em casa!

Venha o próximo! 


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

corrida dos reis - Aveiro

Aveiro é com toda a certeza uma das cidades mais bonitas do nosso pais. É também a cidade onde passo uma boa parte da minha vida profissional. Mas é, acima de tudo, a cidade que adoptei e que me adoptou como seu.

No entanto, ainda não tinha tido oportunidade de participar num evento de corrida neste local. Mas chegou Janeiro de 2014 e com ele a corrida dos reis / neon run e não podia deixar fugir esta hipótese. Tratei então da inscrição, apenas para mim pois a Anita ficaria em Lisboa no fim de semana, e estavam lançados os dados.

O dia chegou após uma semana de chuva e frio e a possibilidade de mau tempo durante o evento era grande. No entanto, tal como tem, felizmente, acontecido até agora, os deuses da corrida estiveram do nosso lado e não só não choveu como também o vento era fraco. Estava frio, é certo, mas não o frio dos dias anteriores; apenas um fresco que se fazia sentir se estivéssemos parados mas que em plena corrida não se notava.


Como sempre, dirigi-me cedo para perto do local onde seria a partida por forma a estacionar com calma e em lugar que fosse suficientemente perto para não perder muito tempo na deslocação a pé entre partida/chegada e o carro mas também suficientemente longe para não ficar encurralado com o corte de trânsito. Assim foi, deixei o carro no estacionamento do pavilhão dos Galitos, uma das entidades organizadoras do evento.

Faltava um pouco mais de uma hora para o início da corrida. Foi então tempo de realizar alguns telefonemas, para todos os amigos que também iam participar nesta corrida, para podermos combinar encontro antes da partida. Não seria possível fazermos o percurso juntos, pois são todos bem mais rápidos que eu, nem saberíamos se no final daria para nos juntarmos, mas antes com certeza que não perderíamos oportunidade de nos reunirmos.

Depois de tudo combinado, estava na altura de vestir o equipamento e colocar-me a caminho da zona de partida, junto da antiga fábrica de cerâmica Campos, onde aproveitei para tirar algumas fotos da praxe e descontrair na conversa com os amigos que entretanto iam chegando.


Um excelente ambiente fazia-se sentir por todos aqueles que se preparavam para participar nesta corrida. Além da alegria e boa disposição geral, as luzes que muita gente tinha e que faziam parte do pack de quem se inscreveu na neon run, davam um colorido extra e uma animação especial à avenida onde seria dado o tiro de partida e também onde seria cortada a meta.

A partida foi dada um pouco depois da hora inicialmente marcada, mas a organização tinha alertado para este facto, e então toda a gente se fez ao percurso estabelecido: duas voltas a um percurso de 5 km, que passava por algumas das zonas emblemáticas da cidade (estação CP, avenida principal, pontes, sé). Este evento incluía também uma caminhada, que partiu a seguir aos participantes da corrida, que consistia apenas numa volta ao mesmo percurso.

O início do percurso foi feito em grupo quase compacto, sem grandes dificuldades: uma pequena subida até à estação e depois a grande descida de toda a avenida até às pontes. Aqui começava uma pequena dificuldade, a subida até à sé. Depois a grande avenida dos liceus, plana e larga, novamente sem dificuldades, até à pequena mas inclinada subida que atravessa a linha de comboio. Virada à direita em direcção ao pingo doce onde havia um retorno que levaria de volta à passagem perto (não exactamente no mesmo local) da partida.


Aqui surgiria aquela que, para mim, foi a maior dificuldade. Tenho reparado ao longo do tempo me custa mais correr em circuito. Ou seja, se o percurso for sem grandes repetições (como por exemplo na meia maratona do porto, onde havia dois retornos, passando duas vezes no mesmo local mas em sentidos contrários) não tenho problemas. Agora se for um trajecto do tipo circular (como neste caso, em que parece que estamos a correr em pista, às voltas sem sair do mesmo lugar) já não gosto tanto e sinto-me fraquejar, ainda que acredito que seja sobretudo uma fraqueza mental.

Por este motivo, sentir maior dificuldade entre o 5º e o 7º km que, apesar de serem iguais ao 1º e 2º (isto é, pequena subida e grande descida), foram mais lentos e custosos. Mas entretanto convenci-me que não era fisicamente que estava mal, e sim psicologicamente, e obriguei-me a combater isso e voltar a um ritmo mais meu. 
 
E assim foi, depois de passar as pontes, na segunda subida para a sé, recuperei, recolei-me às pessoas junto das quais tinha feito toda a primeira volta, e voltei a sentir-me bem comigo próprio e com a corrida e retomei o meu ritmo, que não mais abandonaria até ao final. 


Nesta parte final ainda deu para conversar um pouco com um PT que ia a acompanhar uns seus atletas, incentivando-os e ajudando-os a manter o foco e, sobretudo, o ritmo e a não desistir. Fomos uma centena de metros a conversar sobre a corrida que estávamos a fazer mas também sobre outros eventos e outros desportos que ambos praticamos.

Já na última avenida, já em direcção à meta, consegui ainda aumentar um pouco o rtimo (foram cerca de 600 ou 700 m acima do meu normal), numa tentativa de recuperar o que tinha perdido no início da segunda volta, por forma a não fazer demorar mais que o habitual na distância. E, com isto, creio que provei que a minha quebra foi mesmo mental e não física, pois este aumento de ritmo foi feito sem grande sacrifício.

Depois de cortar a meta, foi ainda possível estar com os amigos novamente, que tinham feito entre 10 a 15 minutos menos que eu, mas que ficaram na conversa perto do final à espera de nos reunirmos.


De seguida voltei ao carro, fui tomar banho – e aqui uma nota para a organização, que considero ter falhado neste ponto: estando a partida/chegada situada mais ou menos a meio caminho entre o pavilhão e as piscinas dos Galitos, entidade organizadora como já referi, não foram disponibilizados balneários para os participantes; isto impede, desde logo, que interessados de outras cidades, um pouco mais afastadas, efectivamente participem: não é agradável fazer uma corrida, transpirar, às vezes até sujarmo-nos, e não poder tomar banho para trocar de roupa e poder usufruir, de seguida, das ofertas turísticas e gastronómicas dos lugares de realização dos eventos - e encontrar-me com um outro amigo (curiosamente o mesmo que tinha jantado connosco em Coimbra na semana anterior) para ir aproveitar uma bela pizza e uma champanhada num dos meus locais preferidos para este tipo de refeição: a Pizzarte.

Mais uma participação satisfatória num evento de corrida, desta vez numa cidade muito especial! 

Vamos à próxima!